Reabilitação no A.V.C.

De entre as possíveis consequências de um AVC as alterações da fala, linguagem, comunicação e deglutição são as que mais frequentemente levam à procura de um Terapeuta da Fala.

O que é um AVC?

Um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ocorre quando o fluxo sanguíneo cerebral é interrompido. Esta interrupção causa um défice de oxigenação nas células do cérebro, danificando-as ou provocando a sua morte.

 

O que acontece depois de um AVC?

O nosso cérebro está dividido em áreas, ou seja, grupos de células que são responsáveis por uma ou mais funções. Por exemplo, existem áreas específicas para andar, falar, engolir, mexer o dedo, movimentar os lábios para dar um beijo… Tudo é controlado por áreas específicas do nosso cérebro.

Depois de um AVC, existem áreas cerebrais lesadas e, portanto, consoante o tipo e localização da lesão, poderemos ter várias funções alteradas. Por exemplo, podemos assistir à dificuldade na marcha, manter o equilíbrio, em movimentar o braço, etc.

Outras alterações podem incluir a incapacidade de comer ou beber adequadamente (disfagia) e dificuldades de comunicação, que podem afetar, quer a expressão, quer a capacidade de compreensão da linguagem.

A imagem abaixo resume de forma muito simples as principais alterações decorrentes do AVC, relacionadas com a Terapia da Fala. Para obter informações mais pormenorizadas sobre cada uma delas, pode clicar em: Reabilitação das Perturbações da Linguagem (Afasia), Reabilitação da Deglutição (Disfagia) e Reabilitação das Perturbações Motoras da Fala (Disartria e Apraxia).

Resumo esquemático das principais alterações verificadas depois de um Acidente Vascular Cerebral, relacionadas com a Terapia da Fala.

As alterações são permanentes?

As alterações podem ser temporárias ou permanentes, e esta questão prende-se com vários fatores que influenciam o prognóstico, como a idade da pessoa, o tipo de AVC, a extensão da lesão, o acesso a serviços de reabilitação, medicação, entre outros.

A reabilitação deve iniciar-se assim que existir indicação médica de que a pessoa se encontra clinicamente estável. A precocidade do início da reabilitação e a sua frequência são fatores que influenciam fortemente o potencial de superação das alterações encontradas após um AVC.

 

Qual é o papel do Terapeuta da Fala no AVC?

Cabe ao Terapeuta da Fala:

  • Avaliar se a pessoa tem alterações da fala, linguagem, motricidade orofacial e/ou deglutição;
  • Intervir de acordo com as necessidades identificadas na avaliação, quer diretamente com o paciente, quer com a família/cuidador;
  • Definir as modificações de dieta necessárias, em termos de consistência dos alimentos, que garantam uma deglutição em segurança, nos casos de disfagia.
  • Fornecer estratégias facilitadoras da comunicação, se for o caso;
  • Implementar meios aumentativos de comunicação, se o paciente apresentar uma perturbação grave da comunicação.

 

O que é que o Terapeuta da Fala avalia?

O Terapeuta da Fala avalia:

  • Capacidade de compreensão da linguagem verbal (simples e complexa);
  • Capacidade de expressão verbal (simples e complexa);´
  • Capacidade de compreensão e expressão não verbal;
  • Capacidade de leitura e escrita;
  • Capacidade de fala;
  • Motricidade orofacial (movimentos das estruturas da face e da boca);
  • Capacidade de deglutição.

 

O que inclui a intervenção do Terapeuta da Fala?

A intervenção pode ser direta ou indireta.
Na intervenção direta, são realizados exercícios especificiamente desenhados no sentido de colmatar as dificuldades do utente. Com base nos resultados da avaliação, são traçados objetivos a curto e longo prazo. A título de exemplo, a intervenção pode incluir (não necessariamente):
  • Exercícios dirigidos à mobilidade da face e das estruturas orais (lábios, língua, palato mole, mandíbula);
  • Ensino e treino de técnicas facilitadoras da comunicação;
  • Implementação de sistemas aumentativos de comunicação;
  • Treino de estratégias de articulação que tornem o discurso mais perceptível, apesar da fraqueza muscular;
  • Exercícios de promoção da compreensão verbal e não-verbal;
  • Ensino e treino de manobras que tornem a deglutição mais segura;
A intervenção indireta envolve o suporte, ensino e treino à família e/ou cuidador.