Reabilitação da Paralisia Facial

A Paralisia Facial é uma alteração que envolve a parésia/ paralisia de quaisquer estruturas inervadas pelo nervo facial. O reflexo mais óbvio da Paralisia Facial é a perda de movimentos dos músculos de uma ou ambas as hemifaces.

Os movimentos da face iniciam-se no cérebro e viajam através dos nervos até aos músculos. Através de um estímulo gerado no cérebro e transportado pelo nervo facial, os músculos da face contraem para executarem movimentos como um sorriso, dar um beijinho, pestanejar, etc.

Paralisia Facial Periférica Esquerda: A pessoa não consegue elevar a sobrancelha esquerda, encerrar totalmente o olho esquerdo e sorrir de forma simétrica. (imagem retirada de: http://www.bapras.org.uk/guide.asp?id=360)

O nervo facial é o nervo que transporta os estímulos da expressão facial. Este nervo emerge do crânio e divide-se em vários ramos que se distribuem pelos diferentes músculos da face.

O percurso do nervo facial é longo e convulsionado, pelo que existem várias causas para a ocorrência de Paralisia Facial: acidente vascular cerebral, otite média, tumor, traumas, entre outras.

É importante sublinhar que nem todas as pessoas com uma situação de Paralisia Facial de instalação súbita estão a ter um Acidente Vascular Cerebral (AVC), embora essa seja uma ideia comum.

A distinção entre Paralisia Facial Central e Periférica é importante na definição da causa da paralisia e no estabelecimento do prognóstico e plano de intervenção terapêutica.

Na maioria dos casos, a Paralisia Facial é causada por:

■  Lesão ou edema do nervo facial, que transporta estímulos do cérebro para os músculos da face – Paralisia Facial Periférica. É afetada a mobilidade de toda a metade da face, correspondente ao lado da lesão.

■  Lesão da área cerebral que envia sinais para os músculos da face – Paralisia Facial Central. São afetados os dois terços inferiores da hemiface contralateral ao local da lesão.

 

Paralisia Facial e Terapia da Fala

Existem consequências da Paralisia Facial relacionadas com as capacidades de Comunicação e Deglutição, que poderão requerer intervenção do Terapeuta da Fala:

Diminuição da capacidade de expressão através da mímica facial, devido à perda dos movimentos da face. Esta alteração pode ter um impacto negativo, não só a nível psicológico, mas também nas interações sociais, uma vez que limita a transmissão das emoções a nível não-verbal;

Alterações da Fala (disartria): os fonemas (sons) que exigem o movimento dos lábios (e.g. /p/, /b/, /f/, /v/, e /m/) podem sofrer distorções, comprometendo a inteligibilidade da fala.

Alterações da deglutição/mastigação: o desvio da comissura labial (canto da boca) pode levar ao escape de saliva ou de alimento durante a mastigação. A diminuição da força dos músculos das bochechas aumenta a dificuldade na mastigação, levando à acumulação de alimento nas zonas vestibulares (entre a gengiva e a bochecha).

A reabilitação da Paralisia Facial pode passar pelo trabalho coordenado de vários profissionais, como o fisioterapeuta, o terapeuta da fala, o psicólogo e o médico.

A intervenção de Terapia da Fala objetiva o aumento da simetria facial e a reabilitação das funções de fala e mastigação. Na intervenção terapêutica, são utilizadas várias técnicas, instrumentos e exercícios terapêuticos que potenciam a reabilitação das alterações miofuncionais verificadas, de acordo com a etiologia da Paralisia Facial.