Nutrição e Alimentação na Doença de Parkinson

Não é a primeira vez que publico um post relacionado com a Doença de Parkinson, mas hoje, para variar, não sou eu que o escrevo.

Tenho vindo a reparar que as pessoas com DP que acompanho em Terapia da Fala têm muitas dúvidas e dificuldades relacionadas com a alimentação, para além da questão da disfagia.

Como estas questões me ultrapassam enquanto Terapeuta da Fala, pedi ao Nutricionista Diogo Sousa que escrevesse um pouco sobre os tópicos mais importantes sobre a Alimentação na DP.

Aqui fica!

Tem Doença de Parkinson? Sabe como se deve alimentar?

Tem Doença de Parkinson? Sabe como se deve alimentar?

O doente com Parkinson deve apostar muito na qualidade da sua alimentação, uma vez que esta lhe traz muitos benefícios, tanto a nível de bem-estar e qualidade de vida, assim como na diminuição da progressão doença. Já dizia Hipócrates, o pai da medicina “Faz do teu medicamento o teu alimento e do teu alimento o teu medicamento.”

A título pessoal, considero que o mais importante é manter um trânsito intestinal regulado e funcionante. Quando me refiro a regulado não me estou a referir à regulação com laxantes mas sim à regulação sem recorrer a estes. Isto porque ao mantermos um trânsito intestinal saudável, temos a certeza que a medicação vai ser bem absorvida assim como todos os nutrientes necessários para o bom funcionamento do nosso organismo, minimizando os sintomas da doença.

Mas…

E como se consegue ter um transito intestinal regular e funcionante?

É uma tarefa simples….

  • Aumentar o aporte de fibras (vegetais, frutas (algumas destas já têm propriedades laxativas o que ajuda mais a quem tem o famoso intestino preso”) e cereais);
  • Aumentar o aporte hídrico, numa primeira fase entre 1,5L a 2L de água;
  • Fazer exercício físico.

Estes passos são importantes pois vão afastar-nos do uso recorrente dos laxantes que aos poucos e poucos vão destruindo a flora intestinal diminuindo assim a capacidade de absorção de alguns medicamentos assim como de nutrientes importantes para o bom funcionamento do organismo.

CUIDADO!

O consumo excessivo de laxantes vai levar a que o nosso intestino chegue a um estado de disbiose ou seja alteração da flora intestinal.

Outros dois problemas…

…associados à nutrição e doença de Parkinson são o excesso de peso e o baixo peso.

  • O excesso de peso é negativo porque limita os movimentos da pessoa e pode ter outras implicações de saúde, nomeadamente, cardiovasculares.

Neste caso deve-se recorrer a um nutricionista para prescrever um plano alimentar adequado, que promova a redução de peso.

  • O baixo peso é sinal de que o doente está desnutrido, ou seja tem falta de nutrientes que são fundamentais para retardar o avanço da doença. Outro aspeto negativo ligado ao baixo peso é a sarcopenia (pouca quantidade de massa magra, músculo), em que a componente óssea da pessoa com Parkinson fica mais exposta, aumentado o risco de fraturas.

Nos casos de baixo peso na Doença de Parkinson, deve-se recorrer a suplementos alimentares (desde que sejam indicados por médico, nutricionista ou dietista) e aumentar aos poucos e poucos o aporte calórico das refeições de uma forma controlada (mais uma vez prescrito por um nutricionista).

Quero sublinhar que o baixo peso, por vezes, não provém da anorexia do doente, mas sim de uma dentição incompleta, placas dentárias mal colocadas ou desajustadas e também por dificuldades em deglutir, e neste último caso, é fundamental recorrer a um Terapeuta da Fala.

Um último conselho do Nutricionista Diogo Sousa…

Tenham atenção à vossa alimentação, pois é através dela que o nosso organismo vai buscar defesas para diminuir a progressão da doença e viver melhor!

Nutricionista Diogo Sousa | 918 935 354 | diogo.rsc@gmail.com