Perturbações Articulatórias e Fonológicas

As alterações na articulação verbal têm várias implicações futuras no sucesso escolar das crianças, particularmente na aquisição da leitura e da escrita.Não deixe o seu filho ficar para trás na corrida da fala.

Muitas crianças cometem erros quando estão a aprender a falar. Estes erros nem sempre são significativos e fazem parte do processo natural de desenvolvimento das crianças. Cada fonema (som) tem uma cronologia natural de aquisição, pelo que as dificuldades só devem ser valorizadas caso se prolonguem no tempo.

As Perturbações Articulatórias e Fonológicas incluem dificuldades na articulação (produzir os sons) e no sistema fonológico.

Perturbação Articulatória

A perturbação articulatória envolve uma dificuldade em produzir um ou mais sons. O som pode ser consistentemente substituído por outro, omitido ou distorcido. As Perturbações Articulatórias estão frequentemente relacionadas com alterações estruturais dos órgãos articulatórios (e.g. fenda do palato, fraqueza muscular da língua), mas podem ocorrer também em crianças sem perturbações associadas.

Perturbação Fonológica

O sistema fonológico rege a forma como os sons de uma língua podem ser combinados para formar palavras. As crianças com Perturbações Fonológicas têm dificuldades na aquisição do sistema fonológico e não necessariamente na produção dos sons. Estas crianças não se limitam a ter um sistema fonológico incompleto, pelo contrário, aos erros que cometem (processos fonológicos) subjazem os seus próprios princípios consistentes e lógicos.

Por exemplo, de acordo com o sistema fonológico da língua portuguesa, algumas palavras começam com duas consoantes juntas, como por exemplo bruxa e branco. Se a criança disser apenas um dos sons (“buxa” e “banco”), é mais difícil para o ouvinte compreendê-la.

E não é natural que isto aconteça durante o desenvolvimento? Sim, durante o desenvolvimento, todas as crianças cometem erros semelhantes, por exemplo, dizem “nana” em vez de banana, “poco” em vez de porco, “felor” em vez de flor… Estes erros são cada vez menos esperados à medida que a criança cresce. Assim, tal como na aquisição dos fonemas, existe uma cronologia base para a diminuição dos processos fonológicos. Se esses erros se mantiverem, é possível que a criança tenha uma Perturbação Fonológica. Os pais e educadores devem estar atentos e valorizar os erros que se prolongarem no tempo, em comparação com as crianças da mesma idade.

No caso de dúvida, a opção mais sensata é consultar um Terapeuta da Fala que, após avaliar a criança, verificará se os erros se enquadram dentro do desenvolvimento considerado normal.

REEDUCAÇÃO DA ARTICULAÇÃO VERBAL EM TERAPIA DA FALA
 A Terapia da Fala envolve o ensino e treino de coordenação entre a programação cerebral para a articulação de um determinado fonema (som), a colocação correta dos articuladores (e.g. lábios, língua), o direcionamento do fluxo de ar e a necessidade de fonação (voz).

Por exemplo, se uma criança não consegue produzir o som /s/, a criança aprenderia a colocar a língua atrás dos dentes de cima, deixando passar uma pequena quantidade de ar através da sua boca. Embora possa parecer simples, para muitas crianças não o é. Torna-se, portanto, necessário que o terapeuta defina estratégias individualizadas para cada criança. No momento em que a criança consegue articular o som isolado, inicia-se o treino articulatório de acordo com uma hierarquia de complexidade: sílabas, palavras, frases, conversação.

No treino de articulação, ou seja, de produção dos fonemas (sons), o Terapeuta dá o modelo correcto dos fonemas, sílabas ou palavras à criança, habitualmente em situação de jogo. O grau de exigência e do jogo são seleccionados de acordo com a idade da criança e as suas necessidades específicas. Os programas de Terapia da Fala são delineados para satisfazer as necessidades individuais de cada criança e podem incorporar uma ampla variedade de técnicas.

Quando existe uma alteração no sistema fonológico, a terapia enfatiza , não só a produção correta do fonema, mas também o contexto em que é produzido e a capacidade de discriminação auditiva.