Linguagem, Fala e Comunicação

A diferença entre estes três conceitos, embora possa parecer mínima à primeira vista, não o é. Linguagem, fala e comunicação são conceitos intimamente relacionados, mas distintos. Saber distingui-los, pode ajudá-lo a perceber melhor algumas coisas que o terapeuta da fala lhe explica ou faz.

Linguagem

Compreender o conceito de linguagem pode não ser simples. Aliás, mesmo entre os estudiosos, a definição de linguagem tem-se revelado um desafio. Simplificando, podemos dizer que a linguagem é o sistema usado para representar pensamentos e ideias. É a capacidade humana, única, para comunicar através de símbolos (por exemplo, símbolos falados, escritos, gestuais…). A linguagem é constituída por uma série de regras sociais que nos permitem aceder ao significado das palavras, saber como formar novas palavras, como juntar e ordenar várias palavras para formar uma frase e como escolher as combinações de palavras mais adequadas a cada contexto.

Fala

A linguagem difere da fala, que é a expressão verbal da linguagem. A fala inclui a articulação (forma como os sons são produzidos), a voz (uso das pregas vocais e do fluxo respiratório para produzir som) e a fluência (ritmo da fala).

Uma pessoa, adulto ou criança, tem uma perturbação da linguagem quando tem dificuldade em compreender os outros (linguagem receptiva), e/ou em partilhar sentimentos, ideias e pensamentos (linguagem expressiva). Em suma, as perturbações da linguagem referem-se à dificuldade em compreender e/ou utilizar apropriadamente a linguagem, isto é, podem ter um carácter receptivo, expressivo ou, em alguns casos, misto.

A perturbação pode envolver a forma da linguagem (fonologia, morfologia, sintaxe), o conteúdo da linguagem (semântica), a utilização funcional da linguagem (pragmática), ou qualquer combinação das anteriores.

Se uma pessoa não produz os sons correctamente, com a fluência adequada, ou se tem alterações da voz, apresenta uma perturbação da fala.

Quer as perturbações da linguagem, quer as da fala, embora distintas, podem ter diversas origens. O Acidente Vascular Cerebral e a Esclerose Múltipla são exemplos de condições neurológicas que causam, frequentemente, dificuldades de fala e linguagem (e, muitas vezes, também de deglutição).

E onde fica a comunicação?

Em palavras simples, e abandonando definições mais teóricas, a comunicação humana corresponde à transmissão de uma mensagem de uma pessoa para outra.

A maioria das pessoas nasce com a capacidade de falar e utiliza-a como forma de comunicação. Esta é, contudo, uma entre várias as formas de comunicação existentes. A comunicação pode, então, ser classificada em:

  • Comunicação Verbal (oral e escrita): A comunicação verbal oral refere-se à comunicação através de palavras faladas, por exemplo, uma conversa entre duas pessoas num café, uma conversa ao telefone ou através de videoconferência. A comunicação verbal escrita, refere-se à comunicação através da escrita, por exemplo, cartas, bilhetes, cartazes, etc.
  • Comunicação não-verbal: A comunicação não-verbal inclui formas físicas de comunicação, como o tom de voz, o toque, o contacto ocular, a linguagem corporal da pessoa (postura, os gestos, as expressões faciais). A comunicação através de símbolos e a língua gestual incluem-se também na comunicação não-verbal. mas também à comunicação sob a forma de símbolos, fotografias, desenhos…

A maioria das pessoas desenvolve as capacidades de linguagem e comunicação com pouco esforço aparente. Algumas pessoas, no entanto, apresentam dificuldades de comunicação, cujo impacto é variável conforme o seu grau de severidade. Por exemplo, uma pessoa com voz rouca pode ter dificuldades em fazer-se entender o que compromete a transmissão da mensagem e, portanto, a comunicação. Por outro lado, uma pessoa com uma Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), pode ter dificuldades em executar os movimentos necessários à fala e recorrer a um sistema de comunicação aumentativo (e.g. computador com quadro de comunicação ou sistema de síntese de fala) para comunicar com maior eficiência.

Stephen Hawking, um dos cientistas mais consagrados da atualidade

Neste último caso, que melhor exemplo teríamos senão Stephen Hawking que ultrapassa as barreiras de comunicação impostas pelo seu corpo recorrendo a um sistema aumentativo de comunicação?